Alguns membros da sociedade civil
juntaram-se à iniciativa da UNITA, fazendo circular na internet uma petição que
pretende "reforçar e apoiar a proposta de acusação e destituição do
Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, do cargo que
exerce". Os subscritores, que pretendem recolher mil assinaturas,
conseguiram reunir, em menos de 24 horas, 850 signatários.
Na petição online, os
subscritores pedem "a toda comunidade académica, e não só, desde juízes,
procuradores, professores, estudantes, activistas e sociedade em geral",
que subscrevam o documento.
Os signatários, entre eles os
activistas Hitler "Samussuku", Laura Macedo e "Dito" Dali,
acusam o Chefe de Estado "de ter cometido irregularidades e violação do
artigo 29 da Constituição da república de Angola, nomeadamente de "atentar
gravemente contra o Estado Democrático e de Direito", assim como de
"crimes contra a segurança do Estado e contra o regular funcionamento das
instituições públicas".
Segundo os subscritores, o
Presidente "persiste nas opções políticas e económicas que em seis anos
conduziram o país a um retrocesso sem paralelos na história do pós-guerra,
marcado por contrações da economia ano após ano, inflação, instabilidade cambial,
endividamento público, desemprego e miséria generalizada, havendo hoje cidadãos
lúcidos a alimentarem-se de restos de comida recolhidos em contentores de
lixo".
Para os subscritores desta
petição, João Lourenço "falhou na sua cruzada contra a corrupção", que
consideram ter sido apenas "uma estratégia que visou fanatizar as
consciências dos cidadãos que clamavam por moralidade na gestão pública e, por
outro, de uma agenda oculta de instrumentalização dos órgãos de justiça para
perseguir e aniquilar os seus correligionários que eventualmente lhe fariam
oposição no MPLA e outros por quem não nutre simpatia.
Acusam igualmente o Presidente de
recorrer "abusivamente a contratações por ajustes directo, contratação
simplificada à margem da lei, sendo quase sempre feitas adjudicações de valores
astronómicos a um grupo selecto de empresas associadas a si e amigos, como a
Omatapalo, Carrinho, Mitrelli Group, Limited, DAR ANGOLA e outras".
Dizem ainda os subscritores que
João Lourenço "tem sido contumaz na violação dos direitos humanos em
Angola".
"Prometeu combater a
corrução e criou uma nova elite de corruptos, prometeu acabar com a bajulação e
criou uma nova agremiação de bajuladores, prometeu baixar o preço dos
combustíveis, subiu no mês de Junho, agravou o custo de vida do soberano povo
angolano", lê-se na petição.
Os signatários exigem que a
petição pública seja discutida na Assembleia Nacional, e caso tal não aconteça,
ameaçam "sair às ruas numa mega manifestação em Angola e na diáspora para
exigir que João Lourenço seja destituição do cargo de forma coerciva".